sábado, 18 de junho de 2011

Fernando Pessoa (2)



Com o passar do tempo,  algumas lembranças, como se estivessem em um caleidoscópio, começam a se embaralhar formando belissimas cores , sons e formas diversas.   Ao realizar um dos meus singelos sonhos, que era sentar ao lado do Fernando Pessoa, em frente ao bar que  frequentava, recordei da primeira  pessoa que me falou sobre ele. Este querido amigo,  nem sabe mais quem sou. Pois tenho a impressão,  que já nos encontramos em algum lugar e ele não me cumprimentou.  Entretanto, isto não tem nenhuma importância. De repente ele não me via mais "com os olhos do coração". Eu, entretanto, nunca vou  esquecer a forma poetica com que  me falou  do  Fernando,  do  Caieiro e  tantos outros.

A poesia tira o mofo do cotidiano! É como se fosse uma camada de pintura nova com a qual renovamos, sempre, uma parede velha e desbotada. Viva a poesia! Viva a arte.

Abaixo uma pincelada do FP.


"O essencial é saber ver, mas isso, triste de nós que trazemos a alma vestida, isso exige um estudo profundo, aprendizagem de desaprender.
Eu prefiro despir-me do que aprendi, eu procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos, desembrulhar-me e ser eu.  

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Parque Lage x Vergara

Fazia muito tempo que não visitava o Parque Laje. E, apesar de frequentemente passar em frente ao seu portão principal, não decidia visitá-lo. Ontem, aproveitando a tarde fria e chuvosa,  decidi passar a tarde por lá. O que foi uma decisão muito proveitosa. Apesar do ar desleixado e quase abandonado, causado pela irresponsabilidade das autoridades que deveriam cuidá-lo como se fosse algo raro e impar, ele continua sendo um lugar maravilhoso e mágico. No seu jardim havia uma instalação do artista plástico Vergara chamada "LIBERDADE". Paradoxalmente, como tudo na vida, as obras de arte eram feitas de grades, portões e objetos que pertenceram ao Complexo Frei Caneca que foi demolido. Por lá passaram presos politicos famosos como Graciliano Ramos, Nise da Silveira e outros.

Tudo aquilo me fez pensar no grande mistério que é a vida.

Aproveito para transcrever algumas palavras do nosso Graciliano:

"Afinal que valíamos nós?
Estávamos ali mortos, em decomposição, e era razoável evitarem o contágio. Bom que se conservassem longe. Ninguém nos poderia oferecer uma dessas mesquinhas lisonjas indispensáveis na vida social; estávamos diante de uma verdade muito nua e muito suja, e qualquer aproximação originaria vergonha e constrangimento. O resto da humanidade se afastava; no marasmo e no assombro, sentiamos que se afastava em excesso. Impossíveis os entendimentos; muros intransponíveis nos separavam."

domingo, 22 de maio de 2011

O risco do bordado. Quem risca?!

Percebo que, quando falamos sobre a morte, uma sensação de mal-estar invade o ambiente. Alguns, acham que estamos tristes, outros não sei.

Por isto, volto, citando um pensamento de um grande poeta português:

"...Quando se está consciente da MORTE, distingue-se o essencial do acessório. A consciência da morte muda o modo como utilizamos o tempo. Muda a forma como vivemos..." Gonçalo M. Tavares. Por isto, Mementomori.....

Neste recomeço, quero dedicar esta página a quatro pessoas muito queridas que, segundo o Boldrin, "partiram antes do combinado"

Axê Robertinha (27 anos), Dany (37 anos), Neusinha (58 anos) e Alexandre (40 anos). Valeu a pena te-los conhecido.

Vou tentar ter uma conversa com a Bruna Carpelli que, pensa que me conhece, mais do que ninguém. E, não conhece! Aliás o que conhecemos de nós, hein Bruna?!!!

Quero te contar da minha grande alegria, ontem, que foi ir ao supermercado e não utilizar NENHUMA sacola plástica. Isto me fez sentir muito bem. Estufei o peito de orgulho!

Sabe, Bruna, um dia destes, ri muito com uma conhecida minha. Sabe o que ela me disse? "que falo muito sobre pobres..." Pois é, querida, pensei em retrucar prometendo a ela, a partir de agora, só falar da Paris Hilton, o Bush, etc.....Entretanto, o que ia adiantar?

Tenho mais duas amigas virtuais. Uma de Teresina! Ela também tem um "alter-ego", como nós. E a outra, que é bastante misteriosa, é da Guiana Francesa!

Terminei de ler um livro muito interessante e que te recomendo. É do Autran Dourado e chama-se o "Risco do Bordado".

Vou terminar a nossa conversa de hoje com um pensamento dele, citado na página 170, terceiro parágrafo.

""Mas as coisas não se acomodam ao desejo da gente, o mundo é muito desigual nos seus caminhos, o risco não é a gente que traça".

Espero não demorar tanto a te escrever. E, aqui, podemos falar o que quisermos, pois já que ninguém visita o nosso blog, somos livres. Aqui e no "PROVOCAÇÕES" do Abujamra.