quarta-feira, 25 de março de 2026

 Recomeçando! O mundo sendo o mundo! Mas, vamos seguindo!

terça-feira, 24 de março de 2026

domingo, 19 de fevereiro de 2017

OI, Blog, Sei que você sente-se abandonado! Voltarei!

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Esperando um novo celular....

A mulher de meia-idade veste calça preta,  blusa verde de manga 3/4, calça tênis cinza  e tem  óculos de lentes escuras com friso branco na parte superior. Seu cabelo levemente grisalho é curto, crespo e encaracolado.  Todos os assentos da sala de espera da loja  estão ocupados.  Ela é a única que lê!

Subitamente, a curiosidade me atacou. Queria saber o título do livro. Não consegui,  pois o mesmo estava encapado com uma página de revista.

Finalmente, a leitora foi chamada. Seu número de atendimento era B144, mesa 4.

Não sei o motivo, porém, acredito que ela lia um exemplar da Cassandra Rios.

sábado, 3 de setembro de 2011

O adubo

Isolo-me!
No solo árido
de ilusões,
PLANTO
uma semente e,
com o
PRANTO
adubo a
esperança de um novo
SER.


sábado, 20 de agosto de 2011

A menina perdida

Desfaço nós e
penduricalhos
 
Rio dos simbolos
vãos.

E na ermida
encontro
a menina perdida!

Passando o cerol...

Linhas de cerol
cortam, mutilam,
fazem sangrar....

Linhas de cerol
guiam, seguras,
pipas multicoloridas
que elevam
nossos sonhos
até o espaço sideral....

terça-feira, 9 de agosto de 2011

O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO - Vinicius de Morais

O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO

E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:
– Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
E Jesus, respondendo, disse-lhe:
– Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.
Lucas, cap. V, vs. 5-8.



Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo

Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.
De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.

De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.
Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
– Exercer a profissão –
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.
E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.
E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.
Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
– "Convençam-no" do contrário –
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.
Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!
Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.
Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
– Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não
Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!
– Loucura! – gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
– Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.
E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.

NÃO HÁ O QUE DIZER

NÃO
há o que DIZER

para a morena faceira
de sandália rasteira
sem eira nem beira

NÃO
há o que dizer!

apenas BENZER
o olhar perdido
para a caixa de fitas

NÃO
há o que 
FAZER

apenas
COLHER
os restos de sonhos
no vidro do
LEXOTAN





segunda-feira, 8 de agosto de 2011

MUNDO CÃO


SEM tesão,
SEM razão,
SEM pão.

Será em VÃO?
TEM solução?




domingo, 7 de agosto de 2011

Medo

Tenho medo
de ter medo, mas,
tenho!

Do trânsito
que mutila
a melodia da
POESIA.

Dos carros
que abafam
o canto da cotovia.

Da zoada insensata
que cala,
o apito da longinqua
locomotiva

Da Terra triste
onde as abelhas
não polinizam mais.

Das noites
sem sonhos,

Dos jovens de asas quebradas
pelos
INCESTICIDIOS.
_______________________

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Notas musicais

DOnos do mundo
REsolvem destinos
MIsturam vilanias
FAzem solidões
LAtem para as caravanas que passam
SImulam sentimentos
DOpam consciências.

Safira

domingo, 31 de julho de 2011

sábado, 30 de julho de 2011

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Dúvidas x saber

"Há uma diferença muito grande entre saber e acreditar que se sabe.
Saber é ciência.  Acreditar que se sabe é ignorância.
Mas, cuidado! Saber mal não é ciência. Saber mal pode ser muito pior que ignorar.
Na verdade, sabe-se somente quando se sabe pouco, pois com o saber, cresce a dúvida,
Que é preciso idolatrar sempre!"


Periferia

Aqui,
como LÁ,
a mesma nota
SOL.

Jovens periféricos,
Mortos nos teleféricos.....

Safira

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Metamorfoses

Amanheço CIGANA,
Saia de fitas,
Blusa de chita.
Com muita gana,
RESISTO!

Entardeço  AFRICANA,
Talvez muçulmana,
Nunca MUNDANA.
DESISTO!

Anoiteço BAIANA,
mergulho em um mar de rara beleza.
ENLOUQUEÇO.

Safira